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Between The Buried And Me - The Great Misdirect

Artwork de autoria desconhecida

-Por Pedro Oliveira

Após o grande sucesso de Colors, de 2007, muitos se perguntavam se o Between The Buried And Me conseguiria superar aquele estrondoso disco. Lançado em 2009, The Great Misdirect sem sombra de dúvidas compete com seu antecessor em questão de qualidade. Algo que chama atenção neste álbum (como também em Colors) é a incrível composição e construção das músicas, cheias de detalhes e complexidade. O baterista Blake Richardson faz um trabalho impecável em todas as músicas, seguindo o exemplo de Obfuscation. O baixo também faz um excelente papel em vários momentos, como no solo em Disease, Injury, Madness. A guitarra lead de Paul Waggoner é uma das melhores partes na composição do disco, com passagens criativas durante boa parte tempo. Outra característica marcante é a transição entre calmaria e peso, como a passagem de Mirrors para Obfuscation, além de outras partes calmas em outras músicas, como Desert Of Song. A variação entre growls e vocais limpos também ajuda na variação do disco.

Resumidamente, absolutamente nada em The Great Misdirect é genérico. Outra excelente característica de Colors que retorna é a ligação entre as músicas, sempre ligando uma faixa à outra sem pausas. As letras também são destaque, algumas de certa complexidade, como Obfuscation. Todas escritas pelo vocalista/tecladista Tommy Giles Rogers. The Great Misdirect cumpriu seu dever e se manteve no nível de Colors, deixando expectativas para o próximo álbum. Nenhum apreciador de metalcore deve deixar de ouvir este disco.

Se você gostou disso, poderá gostar de: Converge, Protest The Hero, Scale The Summit

11.05.10 0
System of a Down - Mezmerize/Hypnotize

- Por Gabriel da Costa

No ano de 1998, a banda mais expressiva no cenário Metal dos últimos tempos, surgia com o seu primeiro álbum self-titled: a armena-americana “System Of A Down”. Sem rotulação, com o seu estilo próprio, desajeitado e sem sentido, até hoje, após o fim da banda, chama a atenção de diversas pessoas, pelo mundo todo. Foram 8 anos de formação, o suficiente para influenciar toda uma geração, com o Metal mais Alternativo de todos os tempos.

Em 2005, com uma proposta bem ousada, a banda decide gravar dois full-lenghts, que apesar de não estarem unidos fisicamente, ambos se completavam em algum momento. Das capas, que se sobrepostas, formam um imagem só, ou da primeira faixa do “Mezmerize" , "Soldier Side (Intro)" e a última do "Hypnotize”, “Soldier Side”. São algumas dessas ligaçoes que fizeram desses dois CDs, os melhores da banda.

Este texto seguirá um modelo diferente do habitual, sendo regido por um faixa-à-faixa dos dois álbuns em que serão analistados os instrumentos, letras, e todos os elementos mais relevantes destas canções, iniciando por:


Artwork por Vartan Malakian

Soldier Side (Intro)

A introdução perfeita para os dois ábuns, não é muito expressiva se separada do resto da “Soldier Side”, mas já consegue criar uma atmosfera favorável, para a entrada de uma das músicas mais ouvidas da banda.

B.Y.O.B.

Perfeita em todos os aspectos, é até hoje, uma das músicas mais lembradas da banda. Além da ajuda que teve, ao ser colocada na setlist do jogo “Guitar Hero World Tour”, os direitos autorais da música, foram a julgamento, por acusações de plágio, mas que à nada levaram, pois foi provada que a total autoria da música, seria de Serj e Daron. A composição, critica diretamente a forma como o governo, em suas guerras, influencia as pessoas à se juntarem ao exército, iludidos por promessas e mentiras. Uma crítica comum nas letras da banda, mas que sempre chama a atenção. Ótimos vocais, com gritos rasgados em variadas partes da música, e alguns momentos de tranquilidade. A “harmonia” entre os intrumentos, também é notável. Todos os arranjos se combinam, e formam um ritmo inconfundível.

Revenga

A única coisa realmente expressiva na faixa é a fúria das letras. O desejo de vingança, passado pelos versos. Xingamentos e ideias homicidas. Cantada muito rapidamente, é quase impossível decifrar o que está sendo cantado, mas a rapidez da música é o que esta realmente traz de melhor.

Cigaro

"My cock is much bigger than yours, my cock can walk right through the door". Além de hilária, essa letra é uma critica à posição que os governantes tomam (ou não tomam) em relação ao povo. “Os reguladores que desregulam…”, “Os animados que desanimam…”, e por aí vai. O riff bem irreverente (como System costuma ser) é espetacular. Com uso do pedal duplo, a bateria é o instrumento que comanda a música, do início ao fim.

Radio/Video

Difícil descobrir a menssagem que eles quiseram passar com essa melodia, mas algo envolvendo o mundo da mídia e suas incertezas, é certo. A mistura de ritmos nessa faixa, torna-a uma das mais singulares da história da banda. De uma batidinha pop, para uma parte bem pesada, depois para um funk que passa para uma parte calma, que termina com gritos extremamente rasgados, indo depois para um reggae, terminando com mais uma parte pesada. A repetição excessiva de apenas uma estrofe, não diminui a qualidade do som.

This Cocaine Makes Me Feel Like I’m On This Song

Assim como o nome diz, o estilo da música, e sua letra, são tão estranhos quanto  o efeito de um alucinógeno. “Killers never hurt feelings, gonorrhea gorgonzola”. Isso sim é algo estranho para se colocar em uma música.

Violent Pornography

"Everybody Fucks…", "Everybody Dies…". "Garotas sufocadas e sodomia, o tipo de lixo que você tem na sua TV". Essas palavras são repetidas em excesso a música toda, não deixando muito claro, qual a sua crítica (se é que tem uma). Outra música que muda de ritmo o tempo todo, de um jeito tão genial, que não incomoda, e só melhora a qualidade do álbum.

Question!

Começando com um trabalinho no violão e logo partindo para um riff bem pesado, “Question!" começa em grande estilo, e tem um intrumental muito bem trabalahdo. Seguindo o nome, sua letra nos deixa com uma pergunta, que pode atormentar alguns pensamentos: "Do we know when we fly? When we go do we die? (Without being alive?)"

Sad Statue

Porque no final, vamos para o final da história, não significamos nada, a não ser mais um número nessa geração. “Sad Statue" é uma das músicas que mais me agradam. Lirismo sensacional, e um conjunto instrumental, que é simplesmente perfeito.

Old School Hollywood

Decifrar a menssagem da letra deste som, foi impossível, mas, não é por isso que deixa de ser uma faixa importante. Caracterizada pelo estilão meio eletrônico e uso de vocais um tanto quanto “peculiares”, é uma das músicas mais “diferentes” da banda… mas o que que posso dizer… é System.

Lost In Hollywood

"You should’ve never trusted Hollywood" é a ideia da música calma do CD, com uma crítica aos problemas que a fama pode trazer. Se não a fama em si, a fama temporária e suas ilusões. Fecha o álbum em grande estilo, e deixa aquela vontade de ouvir mais um pouco. Não seja por isso, ainda tem o "Hypnotize”.

Conclusão:

Mezmerize" é uma obra-prima, que sozinho, já teria revolucionado uma geração inteira com suas músicas, o que de fato aconteceu, pois é difícil encontrar alguém que não curta pelo menos 3 faixas do CD. Mas não bastava ser um titã sozinho, tinha que ter um "irmão-gêmeo".


Artwork por Vartan Malakian

Attack

Ataque às formas de lavagem cerebral em massa. Ataquem como pesticidas, os anos de propaganda e sua servitude fatal. Bem, o álbum não começa com uma faixa de introdução, como o outro. Já começa com uma das músicas mais pesadas do CD. Pesadas no lirismo, e no som. “Attack" usa um peso na guitarra e na bateria que em "Mezmerize”, só era notado em “Question!”, uma das últimas músicas do trabalho.

Dreaming

"Nós todos fomos muito além. Nós sabiamos o que nos esperava, mas sempre seguimos em frente, e agora, nós acordamos desse "sonho" de prosperidade, e começamos a enxergar as consequências, que não podemos negar". Alternando entre o estilo pesado, e um refrão mais calmo e limpo, "Dreaming" explora um bom caminho com seus intrumentos. Nos vocais, com uma gigantesca participação de Darion, e diversas partes em que todos os integrantes cantam ao mesmo tempo, separadas em diferentes canais. Talvez o trabalho vocal mais bem bolado da banda.

Kill Rock ‘N Roll

Uma incógnita para minha cabeça. Não soube o que quiseram realmente passar como mensagem, mas não é por isso, que o som perde o seu valor. Uma das melhores do “Hypnotize”. Traz consigo a mesma fórmula que as outras faixas: maior parte pesada, o refrão calmo, e alguns “cooldowns” espalhados aleatoriamente pela faixa. E o legal é que a fórmula agradou muito. Muito mesmo.

Hypnotize

Lirismo simples e pequeno, mas complementa a idéia de “Attack”. A mídia está aqui para nos hipnotizar, e se disfarça nas coisas que gostamos, e somos induzidos a gostar ou simplesmente gostar. Quase que inteiramente calma, “Hypnotize" (faixa) cativa, com seu estilo diferente das músicas anteriores. Também entra como uma das melhores músicas do CD.

Stealing Society

Mais uma faixa com um lirismo bem, confuso. É difícil encontrar uma mensagem principal, criticando algo. Talvez esteja na cara, mas disfarçadamente. Chama a atenção, pelos vocais incessantes. Em nenhum momento, fica-se sem ouvir Serj ou Darion cantando.

Tentative

"Levados pelas superstições, e pelas ilusões da Igreja, pensávamos que seríamos todos salvos. Mas para onde devemos ir? Para o fundo, onde não haverá luz? Ninguém nos salvará agora, nem mesmo Deus". Um ótimo lirismo combinado com o mesmo ritmo pesado/calmo, que consegue viciar, "hipnotizar" quem está ouvindo, continua dando certo.

Nesse ponto do disco, já é possível perceber a diferença, entre “Mezmerize" e "Hypnotize”. Um, com a ideia de ser inovador, totalmente diferente de tudo o que System já tinha trabalhado, e com criticas mais diversificadas em cada música, e o outro, muito mais pesado, e com um uso mais inteligente dos instrumentos, para falar mal das lavagens cerebrais em massa, como a mídia, a religão, entre outros. Apesar de se parecerem muito, diferem nesses pontos e em alguns outros.

U-Fig

"Junte-se a causa e vamos bater naqueles "geeks" ignorantes, que estão com aquelas bandeiras, e depois vamos comê-los". Não fez muito sentido para mim, mas a música tem seus pontos, pelos vocais gritados, que dão um ar revolucionário, e que até dão aquela vontade de por em prática o "beat’em, beat’em, beat’em, beat’em, beat’em".

Holy Mountains

Entender a menssagem é simples, mas a falta de conhecimento sobre a história armênia, me impede de se aprofundar no assunto. Algo sobre algum “conflito” no território do Rio Aras, em uma cidade de interior da Armênia. Uma das músicas mais conhecidas do CD, por ter um ritmo bem diferente do resto.

Vicinity of Obscenity

Diz que todo álbum do System tem que ter alguma música muito estranha, senão não é um legítimo. Pois bem, “Vicinity of Obscenity" é essa música. "Banana terracotta, terracotta pie". Quem decifrar, por favor, me contate.

"She’s Like Heroin

Já não bastasse a faixa anterior ser muito estranha, essa também consegue entrar na lista das músicas insanas. Ouvir à ambas, é como viajar na música. Talvez a intenção fosse realmente essa: proporcionar aos ouvintes, sensações diferentes, através da música. Não dá pra encontrar uma linha lógica no lirismo, então, o atrativo é a estranheza, mesmo:”I need someone to make some cash selling, ASS, Selling ass for heroin…”

Lonely Day

Depois de “B.Y.O.B.”, “Lonely Day" é a segunda música mais ouvida do disco duplo (segundo o Last.fm). E tem um motivo para isso. É uma das melodias "calmas", mais bem trabalhadas da banda. "The most loneliest day of my life". Essa frase repete-se durante toda a faixa e não deixa a cabeça, por muito, muito tempo. É impossível pensar em Lonely Day, e não lembrar automaticamente do refrão. A melodia é perfeita. Vocais, baixo, guitarra, batera. Tudo trabalhando em harmonia, tocando um dos maiores hits da banda.

Soldier Side

Enfim, termina, uma verdadeira obra-prima musical. E termina em grande estilo, com a parte que falta de “Soldier Side”. Criticando as forças armadas, e o fato de que os jovens que se alistam, e vão para a guerra, nunca mais voltam, e deixam seus familiares em suas casas, chorando. Genial, fantástica, perfeita. Qualquer um desses adjetivos, define a última faixa do conjunto, de melhores músicas já gravadas, e da maior banda já existente. “Welcome to the Soldier Side, Where There’s no one here but me.”

Conclusão: “Hyonotize" incrementa (com um estilo um pouco diferente) tudo o que "Mezmerize" conseguiu passar. Crtíticas, melodias pesadas e calmas, numa boa dose de cada (sem contar as "estranhas").

Conclusão Final: Há a esperança, de que algum dia, voltemos a ouvir clássicos tão bons como estes. Pode ser que demore ou pode ser que esteja tão perto quanto esperamos. O que importa, é que a banda gravou esse disco duplo e que suas músicas até hoje influenciam gerações e mais gerações de metaleiros e até não-metaleiros. Talvez, ouvindo a prestando atenção às letras das músicas, alguem acabe tirando conclusões e criando opiniões opostas às minhas interpretações. Bom, isso é normal, cada um tira a sua conclusão. O que tentei fazer, foi entrar mais à fundo nas linhas, e procurar mensagens “escondidas” que só melhoram a qualidade das músicas.

Nota Final: 10/10

Quem gosta disso, pode gostar de: Com muito esforço, Scars On Broadway, Korn e Slipknot

PS.: Essa resenha é dedicada aos amigos Rui e @ea_ricardo. Viiisssh.

10.26.10 13
Bad Religion - The Dissent Of Man


Artwork de autoria desconhecida

- Por Gabriel da Costa

31 anos depois de sua formação, a banda norte-americana de Punk Rock, Bad Religon, lança mais um full lenght, de qualidade excepcional, assim como todos os outros. Somando 15 álbuns, o grupo que é considerado uma das melhores bandas de Punk Rock da história, não perdeu a criatividade, nem o estilo próprio, mesmo com 3 décadas nas costas.

"The Dissent Of Man" tem 15 faixas no total, e todas (sim, todas) são boas. Não há nenhuma que possa ser considerada “mais ou menos”. Assim como "New Maps of Hell", é possível notar que os arranjos dos guitarristas, estão mais complexos, com uso de técnicas mais arriscadas e complicadas. Em "The Day that the Earth Stalled", faixa inicial, já é possível notar isso. O começo da música: Punk, ao extremo; acordes rápidos e repetidos; bateria muito bem sincronizada com o resto da banda. "Only Rain" segue com o mesmo embalo em que veio a primeira
faixa. Rápida, melódica, com as melhorias na guitarra, anteriormente citadas. "The Resist Stance" lembra músicas antigas dos álbuns da década de 90, como o "Stranger Than Fiction" por exemplo. A primeira música a apresentar um solo muito bem trabalhado. É curto, bem curto, mas já é algo para se entusiasmar. Começa "Won’t Somebody", que quebra um pouquinho, o ritmo animadão. Mas mesmo assim, não compromete a qualidade que o CD vinha trazendo até aqui. Tem um refrão bem grudento.

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"The Devil Stitches" foi a primeira faixa a “vazar” na internet. Alguns ouviram, e com isso, criaram esperanças para esperar por um bom CD. As esperanças provém de uma música realmente boa, com um solinho bem trabalhado, um ritmo bem amigável, como foram todos os outros. "Pride and the Pallor" é
fantástica. Muito boa música mesmo. Conta com todos os outros fatores que me chamaram a atenção, mais um toque de Bad Religion “das antigas”, que estava um pouco em falta. Pois bem, agora não falta mais nada, o CD já seria uma obra-prima, até aqui. Mas nada é tão bom, que não pode melhorar.

"Meeting of the Minds" lembra músicas do "New Maps of Hell". é um pouco mais agressiva, um som um tanto quanto diferente do resto. "Someone to Believe" é mais uma cativante e grudenta. "…Finally there’s someone to believe", essa
persiste em se repetir na mente. "Avalon" é frenéticamente empolgante. Tem um solo muito foda um ritmo bem Punk/Hardcore, que mantém o álbum no auge da qualidade. “Cyanide”, “Turn Your Back on Me”, “Ad Hominem” são muito boas, mas não tão boas quanto as  outras. Têm uns solos bem legais, mas, talvez como últimas faixas do CD, já não sejam tão animadas. Quase no fim, vem “Where The
Fun Is”, que realmente, é bem animada, e como penúltima música, não podia deixar de ser. E o CD chega ao fim, concluindo com “I Won’t Say Anything”. Um som bem legal, agradável, um pouco mais calmo, que as outras, mas continua sendo bom.

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Talvez não melhor que outros álbuns, talvez melhor que uma grande maioria, “The Dissent of Man” é um excelente CD. Todas as músicas são de alguma forma, muito boas. Podem não se diferenciar umas das outras (o que não é raro), mas a intenção, é ouvir todas as faixas. É difícil escolher apenas uma música, como melhor do álbum. Portanto, ouça-o inteiro, mais de uma vez, porque é um dos poucos álbuns esse ano.

Quem gosta disso, pode gostar de: Rise Against, Four Year Strong, The Offspring.

10.16.10 3
We Came As Romans - To Plant A Seed


Artwork por Paul Romano

-Por Pedro Oliveira

Lançado em 2009, "To Plant A Seed" é o primeiro álbum da banda americana We Came As Romans. Poderia ser mais um álbum genérico, típico metalcore/post-hardcore com vocais rasgados e limpos, guitarras pesadas e breakdowns, se não fossem algumas características que enriquecem a música. Entre os destaques estão as letras, que apesar de boas e expressivas, podem soar meio repetitivas ao decorrer do disco. Outro ponto positivo é o vocal (limpo) de Kyle Pavone, que além de ter uma voz única, sabe usá-la muito bem. Eric Choi é um monstro na bateria, descendo o cacete, o disco inteiro. Por fim, outros elementos como uma guitarra lead adicionando variedade às composições, o uso de sintetizadores/programação e teclado. Crédito também para os scrowls de David Stephens. Já a guitarra base e o baixo não fazem nenhum grande papel, como em “Homesick”, do A Day To Remember, sendo no máximo um acompanhamento normal para as músicas. Entre as faixas destaco a incrível “To Plant A Seed”, “Roads That Don’t End and Views That Never Cease”, "I Will Not Reap Destruction" e "An Ever Growing Wonder".

A artwork foi feita por Paul Romano, o mesmo que fez o artwork do masterpiece "Crack The Skye", do Mastodon. Segundo o guitarrista Joshua Moore, a capa representa um garoto que teve a ‘semente’ plantada em sua mente, que cresceu até seu coração e saiu pelas palmas das mãos, em forma de troncos.

Apesar de não inovar, "To Plant A Seed" é um álbum sólido, recomendado para todos os apreciadores do post-hardcore.

Se você gostou disso, poderá gostar de: Of Mice & Men, Asking Alexandria, Broadway

10.07.10 0
Thriven - Purecavespringwater

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Artwork por Pedro Conti, Sidnei Siqueira e Felipe Benetti.

- Por Rodolfo Almeida

Muitos dos que se aventuram na jornada musical do metal nacional acabam por cair em um lugar comum. Desta vez não apenas em relação a criatividade, mas sim a produção. Poucas são as bandas que conseguem consolidar inovação, qualidade, técnica, peso e produção de nível em um mesmo projeto. E é exatamente isto que o quinteto de Campinas, SP, Thriven, faz em Purecavespringwater (título em alusão ao Tennessee Whiskey Jack Daniels), seu EP debutante de quatro músicas.

A qualidade é assombrosa. Os pedais duplos de "Pure" - primeira faixa do release -, extremamente bem colocados e destruidores, em contraposição às sutis e imponentes aparições das frases do baixo e os vocais ásperos (que chegam a remeter à Matt Shadows, vocal do Avenged Sevenfold), e a inclusão até mesmo de leves batidas eletrônicas dubstep (que de forma alguma subtraem o peso da faixa, pelo contrário, reforçam-o) nos mostram à que vem o Thriven: fazer música de peso. A seguinte, "Cave", ainda que peque um pouco na repetição das linhas vocais, é de alto nível; catchy, pesada, um hino em ode à brutalidade. "Spring" é definitivamente o maior destaque do release. Todos têm seu espaço. As guitarras são absolutamente fantásticas, velozes e técnicas. Os riffs arrastados ao lado da bateria avassaladora e os vocais melódicos são interrompidos por vezes por interlúdios atmosféricos e irrompidos por gritos desumanos. A faixa é veloz, pesada e destrutiva. Vem, em seguida, "Water", que ainda que em um tempo mais lento, consegue se tornar uma das mais grudentas do EP, por conta da melodia espontânea dos vocais limpos e os riffs abafados e frequentes.

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O release, no geral, é fantástico. De produção sem igual, ótimo equilíbrio entre instrumentos e disposição destes, melodia única e um modelo inovador e diferente dos reconhecidos atualmente. A banda lançou também, em seu myspace, um cover divertido, pesado, brutal e até mesmo dançante de "Leave Me Alone", do rei do Pop, Michael Jackson, que nos dá uma ideia da versatilidade da banda e, principalmente, do poder dos vocais.

É transparente uma preocupação raríssima, nos dias de hoje, com todos os aspectos que orbitam a música: da produção ao artwork, passando pela forma de distribuição: gratuita no myspace da banda e principalmente com a música, extremamente bem balanceada e dosada. Definitivamente uma das bandas mais promissoras da cena: Thriven.

Se você gostar disso, pode gostar de: Cardiac, Ponto Nulo No Céu, Paura.

Clique aqui para ouvir o cover de "Leave Me Alone", de Michael Jackson.

10.03.10 1
Crystal Castles @ Festival Kabbalah - Itu (26/09/10)



- Por Camila Avelino

Eram duas da manhã do dia 26/09/2010 na fazenda Cana Verde, na cidade de Itu (102 km da capital paulista). De longe, podia-se ver a ansiedade dos fãs que foram para o festival de música eletrônica Kaballah apenas para ver aquela atração. Exatamente as 03:11 hrs, Ethan entra no palco iniciando Fainting Spells, logo em seguida o baterista (não esperado por muitos que contavam apenas com os sintetizadores e a formação normal do duo) e então, Alice Glass com sua garrafa de whiskey entra em cena nos transferindo para uma outra dimensão. E assim começa o show do Crystal Castles.

Alice Glass com seu carisma completamente sombrio, encanta a minúscula platéia, que mal consegue se conter ao ouvir seus gritos histéricos e as batidas frenéticas da primeira música do show. Apagam-se as luzes. Nesse instante, uma vibração incrível invadiu o Festival: a batida de Baptism tinha se iniciado. Quem era fã entrou em transe, quem não conhecia aderiu ao momento: era realmente um batizado. Parecia um ritual de iniciação em algo incrivelmente cativante e insano.

Com Alice dando whiskey na boca dos fãs na beira do palco depois de falhar no “mosh” (porque os seguranças a impediram), inicia-se a inconfundível Courtship Dating e os gritos que antes gritavam “THIS IS YOUR BAPTISM!”, sem cessar, agora cantavam num coro calmo e até bem organizado para um show do frenético duo canadense.

Apagam-se as luzes novamente, escuta-se uma batida contínua nos pratos da bateria e começa a música mais histérica e frenética do show: Doe Deer. A energia que vem de Alice nesse momento atinge o público de tal forma, que foi possível ver muitas pessoas perdendo o controle, penduradas nas grades e mexendo o corpo de forma convulsivamente até o último segundo da música (que sabemos que se tivesse mais 10 segundos seria insuportável).

Parando apenas para acender um cigarro de maconha com um isqueiro do público, Alice continua o show com Reckless seguida de Crimewave, que deu uma acalmada na insanidade do público. Quando Air War começou, o público estava realmente em outra dimensão. Uma daquelas à que só o próprio Crystal Castles te leva. Assim, quando a sede de insanidade começou no meio da música, desejando 8bits insanos e barulhentos, Alice Glass consegue dar um moshpit driblando os seguranças.

Quando o público achou que nada poderia vir a agitá-los mais e dominá-los mais, começa, então, Alice Practice. O 8bit bem comandado por Ethan e os gritos incompreensíveis e doloridos de Alice, voltam a (des)controlar o público que, escalando ambas as grades (a que separava o palco do público e a que separava o backstage da pista), começa a tremer , dando a impressão de que tudo ali viria abaixo. Mas ao gritar, com a máxima força que puderam “SCARS WILL HEAL SOON”, torna-se claro que aquele público queria mesmo é que tudo viesse abaixo.

Revezando entre “microfone e cigarro” e “microfone e whiskey” em mãos, Alice começa a executar Black Panther, música em que, também descontroladamente, ela toca os pratos da bateria com o microfone de cima do bumbo. Ao começar Untrust Us, vê-se um sorriso irônico começando por Ethan e se espalhando pelo lugar no segundo coro organizado da noite: “La cocaína no es buena para su salud.” Num êxtase extremo, o público do Crystal Castles tem um tempo de respirar na única pausa do show, que deve ter durado uns 10 segundos.

A estrondosa bateria dá começo ao fim do espetáculo. Alice, dessa vez, comanda a sincronia perfeita dela com os fãs gritando :”YES, NO, MAYBE SO!”. Assim , vai chegando ao fim com a inédita e não gravada em estúdio Yes No. Ethan , então, simplesmente desaparece do palco junto com o baterista. Alice, indo contra toda a sua performance, dá um sorriso incrivelmente meigo acompanhado de um “Thank you” envergonhado e abandona o palco.

Assim apagam-se as luzes e não voltam a se acender.

09.28.10 8
Silverstein - A Shipwreck In The Sand


Arte de álbum por Martin Wittfooth e Kyle Crawford (Electric Zombie)

-Por Pedro Oliveira

A Shipwreck In The Sand é o nome do quarto álbum de estúdio da banda canadense de post-hardcore Silverstein. É um álbum conceito, o que é raro no gênero. É difícil falar sobre as storylines do álbum, pois em 4 capítulos, as músicas das duas storylines estão misturadas. Um dos enredos conta a história da um homem que foi traído pela mulher e põe fogo em sua própria casa, mas acaba salvando a mulher pois ainda a ama, e as letras contam todo o drama que envolve a situação. A segunda história conta sobre uma embarcação, que tinha o objetivo se explorar o desconhecido, descobrir novas terras e tornar a vida melhor, mas com o tempo percebeu-se que não havia terra a ser encontrada, e a tripulação acaba se revoltando com o capitão e afundando o barco, matando a todos. Ambas as storylines são muito bem escritas e detalhadas, e as letras são o grande destaque do álbum.

Quanto à música, é bem acessível, catchy, com passagens melódicas e calmas e às vezes mais hardcore. A predominância é dos vocais limpos sobre os rasgados. Baterias, baixo e guitarras fazem um papel básico, sem extravagância nas composições, deixando assim as músicas mais simples, tecnicamente falando. Difícil decidir quais os grandes destaques do álbum, pois várias músicas são igualmente ótimas, mas entre elas estão “Vices”, com participação de Liam Cormier do Cancer Bats, “Broken Stars”, “A Great Fire”, “Born Dead”, com participação de Scott Wade do Comeback Kid,I Knew I Couldn’t Trust You" e "I Am The Arsonist”.

Com certeza a banda fez um ótimo trabalho nesse álbum, os vocais de Shane Told estão perfeitos, mas a banda pode abrir espaço para melhorias instrumentais nos próximos álbuns, com certeza dando uma incrementada interessante nas músicas.

Se você gostou disso, poderá gostar de: Story Of The Year, Atreyu, Alexisonfire

Nota final: 9,0

Obs: Se lhe interessar, clique aqui para visualizar a ótima capa em altíssima resolução (2359x2359, 3,6 MB)

09.26.10 1
Cardiac - Cardiac

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Arte do álbum desconhecida

- Por Rodolfo Almeida

Chega a ser redundante apontar, nos dias de hoje, para a banalização quase que geral do significado, paixão e mensagem nas músicas - sendo a proposta de algumas das resenhas postadas aqui, indicar os expoentes deste cenário, dignos de atenção. E em meio a este cenário, formou-se, em 2007, em Campinas, SP, a "Cardiac", cuja proposta inicial era, justamente, a de acender uma chama de paixão e significado em meio a esta penumbra quase que onipresente.

Lançando em 2009 seu full-length debutante, a Cardiac prega pela mescla do peso do metal, das mensagens e da técnica, gerando um que pode ser um dos melhores releases do metal nacional do ano passado.

As faixas, permeadas por técnica - com destaque às seis cordas e às prudentes baterias -, de duração variando de 1’50” à 4’33”, nos levam, por vezes, da explosão quase que constante à súbita calmaria, com um ar de inteligência, por conta das guitarras melódicas, dos vocais rasgados abafados - produção que garante um certo charme único ao release -, e os vocais limpos fortes, claros e imponentes, com destaque às sábias letras de "Cidade Cinzenta" (Mergulhe em algo que você não conheça/Tempo perdido naquilo que você acredita), à melódica e sincera "Aliança", à técnica "Morre Mais Um", à pesada "Onde Prolifera O Desespero", e à, quse que um constante breakdown, “Utopia”.

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O álbum no geral, é fantástico, provido de um lirismo espetacular, retratando as dificuldades e encruzilhadas do dia-a-dia, as relações de poder e solidariedade, o comodismo e a paixão, na forma de gritos intimidadores que só fazem complementar o poder e força da mensagem, carregada por toda a técnica do quinteto, pecando apenas, talvez, na linearidade e repetição da fórmula ao longo das faixas - fato que, se a fórmula (extremamente bem construída, por sinal) lhe agrada, como é o caso, não deve se tornar um defeito, e sim uma qualidade.

O Cardiac, tendo aberto shows para diversas bandas internacionais, tais como Underoath, Silverstein, Blessthefall e Killswitch Engage, nos provou em 2009, com o lançamento de seu homônimo, que é uma das grandes promessas do metal nacional e que a chama da paixão não se apagou por inteiro, pelo contrário, continua forte na alma daqueles que se importam.

Nota final: 9,0/10

Se você gostar disso, pode gostar de: Ponto Nulo No Céu, Musicbox Superhero, Anchor.

09.24.10 0
Labirinto - Lançamento “Anatema” @ CCSP (12/09/10)

- Por Rodolfo Almeida

No dia 12 de Setembro de 2010, no número 1000 da Vergueiro, no centro de São Paulo, pontualmente às 18h, abriam-se as portas da Sala Adoniran Barbosa, onde os aproximadamente 100 presentes, calmos, ainda que ansiosos, puderam presenciar o que poderia talvez ser a maior demonstração de técnica e musicalidade de suas vidas. Era nada mais, nada menos que o lançamento do primeiro Full-Length do talentosíssimo septeto paulistano de Post Rock, Labirinto, intitulado "Anatema".

O largo palco do Centro Cultural São Paulo, ainda que vazio de seres humanos, via-se permeado por uma imagem que definia exatamente a palavra mais cabível para descrever o Labirinto: pluralidade. Guitarras, duas baterias, baixos, violoncelos, violinos, sintetizadores, percussõs de toda sorte, banjos, bumbos, violões, uma imensa variedade de pedais e pedaleiras, despertavam a curiosidade dos presentes acerca do que estava por vir.

Ao início da apresentação, despertou-se em cada indivíduo da platéia a sensação de imersão em algo muito maior do que se conhece. O Labirinto é perfeito, completo, complexo e intrínseco. Desde a escolha peculiar de timbres e acordes, até a meticulosidade parnasiana dos arranjos, bem como a emocionante construção de tensões, explosão de climaxes acompanhados dos tambores de guerra das duplas baterias e a súbita introspectividade.

A premissa do "Anatema" é construir, nos moldes do post-rock, a trilha-sonora à uma narrativa épica (que também pode ser chamada de nossa odisséia pessoal e cotidiana, numa interpretação mais profunda), permeada por batalhas, turbilhões, tempestades, bonanza e calmaria. Premissa essa que não poderia ser melhor cumprida. Na mesma medida que o expressionismo busca, por meio da pintura, dar “tangibilidade” às emoções, agonias, dores e sentimentos, o Labirinto busca - e faz - o mesmo, por meio da música, entregando-nos um show de atmosfera indescritível. Impressiona o nível de entrosamento entre os músicos, sincronizados orquestralmente, a técnica e capacidade de fidedignididade à reproduçao de um álbum de 6 músicas e extensos 70 minutos - bem como algumas faixas de lançamentos antigos, como o EP "Etéreo", de 2009.

O alto nível da banda é incomparável, merecendo todo o respeito por, em meio à um contexto de banalização e dessacralização da arte, demonstrar preocupação com todos os aspectos desta - o full-length "Anatema", contendo cerca de 150 pistas por música, fora mixado e produzido, por Greg Norman, responsável por grupos como "Pelican" e "Russian Circles" -, desde à iluminação programada e ambiance dos palcos, à ligação direta do conjunto com as artes no geral, por meio, por exemplo, da inserção de faixas do grupo em coletâneas como a "DIS01", coletânea de nova música experimental e novos artistas visuais do selo "Dissenso", bem como pela fantástica arte do digipack - além do LP - de "Anatema", ilustrada por João Ruas, e responsável por esvaziar bolsos alheios na banca de merch da banda, ao término do show (à um preço justo, R$16 por CD).

O apoio e empenho da banda à uma cena em que é extremamente difícil de se estabelecer em terras brasileiras, a da música experimental e instrumental, por si só, já é digno de respeito e credibilidade, levando a banda a padrões gringos, como os de "Explosions In The Sky" e outros importantes representantes do Post-Rock.

Aos que pensam que a música de verdade se foi, e que é impossível fazer sucesso fazendo o que se gosta, lhes apresento os labirintos de "Anatema".

Quem gosta disso, pode gostar de: Explosions In The Sky, Pelican, Russian Circles.

Clique aqui e veja um vídeo da apresentação do Labirinto no CCSP em 12/09/10.

09.20.10 2
Atreyu - Congregation of the Damned


Arte de álbum por Jason Oda

- Por Pedro Oliveira

Para muitos, o lançamento de Lead Sails Paper Anchor, em 2007, acabou com o quinteto californiano Atreyu. A sonoridade, muito mais pop, mais catchy, em relação aos álbuns mais antigos, como Suicide Notes and Butterfly Kisses ou até The Curse, acabou por espantar alguns dos fãs mais antigos, acostumados ao peso característico da banda. Para alguns, o grupo havia se vendido. Em 2009 sai, então, Congregation of the Damned, que no geral, executa um ótimo papel de misturar um pouco de cada disco, tornando-se um release mais variado e, para alguns, melhor do que os anteriores.

O álbum inicia-se com Stop! Before It’s Too Late And We’ve Destroyed It All que tem uma excelente introdução e é a mais pesada, remetendo os ouvintes ao primeiro álbum Suicide Notes and Butterfly Kisses, ainda que maioria das outras músicas traga uma mistura de The Curse com Lead Sails Paper Anchor e A Death Grip On Yesterday, releases anteriores da banda. Storm to Pass e You Were The King, Now You’re Unconscious são os grandes destaques do álbum. A primeira, muito bem composta, com um refrão viciante e ótimas letras. A segunda contando com uma fantástica introdução, sem dúvida a melhor de qualquer música da banda, sendo uma excelente abertura para um show. Destaque também para outras músicas como So Wrong, Gallows, Bleeding is a Luxury e Congregation of the Damned.

Percebe-se que o vocalista Alex Varkatzas melhorou muito em relação aos outros álbuns, inclusivo fazendo vozes limpas em algumas partes, ainda que a maior parte destas fique por conta do baterista Brandon Saller que, como sempre faz, um trabalho fantástico. Congregation of the Damned, pela diversidade e miscigenação de gêneros, bem como a acessibilidade, com certeza é o melhor álbum do Atreyu, e se você gosta de metalcore melódico, recomendo.

Se você gostou disso, poderá gostar de: Bullet For My Valentine, All That Remains, Avenged Sevenfold

Nota final: 9,5

09.14.10 2