System of a Down - Mezmerize/Hypnotize

- Por Gabriel da Costa
No ano de 1998, a banda mais expressiva no cenário Metal dos últimos tempos, surgia com o seu primeiro álbum self-titled: a armena-americana “System Of A Down”. Sem rotulação, com o seu estilo próprio, desajeitado e sem sentido, até hoje, após o fim da banda, chama a atenção de diversas pessoas, pelo mundo todo. Foram 8 anos de formação, o suficiente para influenciar toda uma geração, com o Metal mais Alternativo de todos os tempos.
Em 2005, com uma proposta bem ousada, a banda decide gravar dois full-lenghts, que apesar de não estarem unidos fisicamente, ambos se completavam em algum momento. Das capas, que se sobrepostas, formam um imagem só, ou da primeira faixa do “Mezmerize” , “Soldier Side (Intro)” e a última do “Hypnotize”, “Soldier Side”. São algumas dessas ligaçoes que fizeram desses dois CDs, os melhores da banda.
Este texto seguirá um modelo diferente do habitual, sendo regido por um faixa-à-faixa dos dois álbuns em que serão analistados os instrumentos, letras, e todos os elementos mais relevantes destas canções, iniciando por:

Artwork por Vartan Malakian
“Soldier Side (Intro)”
A introdução perfeita para os dois ábuns, não é muito expressiva se separada do resto da “Soldier Side”, mas já consegue criar uma atmosfera favorável, para a entrada de uma das músicas mais ouvidas da banda.
“B.Y.O.B.”
Perfeita em todos os aspectos, é até hoje, uma das músicas mais lembradas da banda. Além da ajuda que teve, ao ser colocada na setlist do jogo “Guitar Hero World Tour”, os direitos autorais da música, foram a julgamento, por acusações de plágio, mas que à nada levaram, pois foi provada que a total autoria da música, seria de Serj e Daron. A composição, critica diretamente a forma como o governo, em suas guerras, influencia as pessoas à se juntarem ao exército, iludidos por promessas e mentiras. Uma crítica comum nas letras da banda, mas que sempre chama a atenção. Ótimos vocais, com gritos rasgados em variadas partes da música, e alguns momentos de tranquilidade. A “harmonia” entre os intrumentos, também é notável. Todos os arranjos se combinam, e formam um ritmo inconfundível.
“Revenga”
A única coisa realmente expressiva na faixa é a fúria das letras. O desejo de vingança, passado pelos versos. Xingamentos e ideias homicidas. Cantada muito rapidamente, é quase impossível decifrar o que está sendo cantado, mas a rapidez da música é o que esta realmente traz de melhor.
“Cigaro”
“My cock is much bigger than yours, my cock can walk right through the door”. Além de hilária, essa letra é uma critica à posição que os governantes tomam (ou não tomam) em relação ao povo. “Os reguladores que desregulam…”, “Os animados que desanimam…”, e por aí vai. O riff bem irreverente (como System costuma ser) é espetacular. Com uso do pedal duplo, a bateria é o instrumento que comanda a música, do início ao fim.
“Radio/Video”
Difícil descobrir a menssagem que eles quiseram passar com essa melodia, mas algo envolvendo o mundo da mídia e suas incertezas, é certo. A mistura de ritmos nessa faixa, torna-a uma das mais singulares da história da banda. De uma batidinha pop, para uma parte bem pesada, depois para um funk que passa para uma parte calma, que termina com gritos extremamente rasgados, indo depois para um reggae, terminando com mais uma parte pesada. A repetição excessiva de apenas uma estrofe, não diminui a qualidade do som.
“This Cocaine Makes Me Feel Like I’m On This Song”
Assim como o nome diz, o estilo da música, e sua letra, são tão estranhos quanto o efeito de um alucinógeno. “Killers never hurt feelings, gonorrhea gorgonzola”. Isso sim é algo estranho para se colocar em uma música.
“Violent Pornography”
“Everybody Fucks…”, “Everybody Dies…”. “Garotas sufocadas e sodomia, o tipo de lixo que você tem na sua TV”. Essas palavras são repetidas em excesso a música toda, não deixando muito claro, qual a sua crítica (se é que tem uma). Outra música que muda de ritmo o tempo todo, de um jeito tão genial, que não incomoda, e só melhora a qualidade do álbum.
“Question!”
Começando com um trabalinho no violão e logo partindo para um riff bem pesado, “Question!” começa em grande estilo, e tem um intrumental muito bem trabalahdo. Seguindo o nome, sua letra nos deixa com uma pergunta, que pode atormentar alguns pensamentos: “Do we know when we fly? When we go do we die? (Without being alive?)”
“Sad Statue”
Porque no final, vamos para o final da história, não significamos nada, a não ser mais um número nessa geração. “Sad Statue” é uma das músicas que mais me agradam. Lirismo sensacional, e um conjunto instrumental, que é simplesmente perfeito.
“Old School Hollywood”
Decifrar a menssagem da letra deste som, foi impossível, mas, não é por isso que deixa de ser uma faixa importante. Caracterizada pelo estilão meio eletrônico e uso de vocais um tanto quanto “peculiares”, é uma das músicas mais “diferentes” da banda… mas o que que posso dizer… é System.
“Lost In Hollywood”
“You should’ve never trusted Hollywood” é a ideia da música calma do CD, com uma crítica aos problemas que a fama pode trazer. Se não a fama em si, a fama temporária e suas ilusões. Fecha o álbum em grande estilo, e deixa aquela vontade de ouvir mais um pouco. Não seja por isso, ainda tem o “Hypnotize”.
Conclusão:
“Mezmerize” é uma obra-prima, que sozinho, já teria revolucionado uma geração inteira com suas músicas, o que de fato aconteceu, pois é difícil encontrar alguém que não curta pelo menos 3 faixas do CD. Mas não bastava ser um titã sozinho, tinha que ter um “irmão-gêmeo”.

Artwork por Vartan Malakian
“Attack”
Ataque às formas de lavagem cerebral em massa. Ataquem como pesticidas, os anos de propaganda e sua servitude fatal. Bem, o álbum não começa com uma faixa de introdução, como o outro. Já começa com uma das músicas mais pesadas do CD. Pesadas no lirismo, e no som. “Attack” usa um peso na guitarra e na bateria que em “Mezmerize”, só era notado em “Question!”, uma das últimas músicas do trabalho.
“Dreaming”
“Nós todos fomos muito além. Nós sabiamos o que nos esperava, mas sempre seguimos em frente, e agora, nós acordamos desse “sonho” de prosperidade, e começamos a enxergar as consequências, que não podemos negar”. Alternando entre o estilo pesado, e um refrão mais calmo e limpo, “Dreaming” explora um bom caminho com seus intrumentos. Nos vocais, com uma gigantesca participação de Darion, e diversas partes em que todos os integrantes cantam ao mesmo tempo, separadas em diferentes canais. Talvez o trabalho vocal mais bem bolado da banda.
“Kill Rock ‘N Roll”
Uma incógnita para minha cabeça. Não soube o que quiseram realmente passar como mensagem, mas não é por isso, que o som perde o seu valor. Uma das melhores do “Hypnotize”. Traz consigo a mesma fórmula que as outras faixas: maior parte pesada, o refrão calmo, e alguns “cooldowns” espalhados aleatoriamente pela faixa. E o legal é que a fórmula agradou muito. Muito mesmo.
“Hypnotize”
Lirismo simples e pequeno, mas complementa a idéia de “Attack”. A mídia está aqui para nos hipnotizar, e se disfarça nas coisas que gostamos, e somos induzidos a gostar ou simplesmente gostar. Quase que inteiramente calma, “Hypnotize” (faixa) cativa, com seu estilo diferente das músicas anteriores. Também entra como uma das melhores músicas do CD.
“Stealing Society”
Mais uma faixa com um lirismo bem, confuso. É difícil encontrar uma mensagem principal, criticando algo. Talvez esteja na cara, mas disfarçadamente. Chama a atenção, pelos vocais incessantes. Em nenhum momento, fica-se sem ouvir Serj ou Darion cantando.
“Tentative”
“Levados pelas superstições, e pelas ilusões da Igreja, pensávamos que seríamos todos salvos. Mas para onde devemos ir? Para o fundo, onde não haverá luz? Ninguém nos salvará agora, nem mesmo Deus”. Um ótimo lirismo combinado com o mesmo ritmo pesado/calmo, que consegue viciar, “hipnotizar” quem está ouvindo, continua dando certo.
Nesse ponto do disco, já é possível perceber a diferença, entre “Mezmerize” e “Hypnotize”. Um, com a ideia de ser inovador, totalmente diferente de tudo o que System já tinha trabalhado, e com criticas mais diversificadas em cada música, e o outro, muito mais pesado, e com um uso mais inteligente dos instrumentos, para falar mal das lavagens cerebrais em massa, como a mídia, a religão, entre outros. Apesar de se parecerem muito, diferem nesses pontos e em alguns outros.
“U-Fig”
“Junte-se a causa e vamos bater naqueles “geeks” ignorantes, que estão com aquelas bandeiras, e depois vamos comê-los”. Não fez muito sentido para mim, mas a música tem seus pontos, pelos vocais gritados, que dão um ar revolucionário, e que até dão aquela vontade de por em prática o “beat’em, beat’em, beat’em, beat’em, beat’em”.
“Holy Mountains”
Entender a menssagem é simples, mas a falta de conhecimento sobre a história armênia, me impede de se aprofundar no assunto. Algo sobre algum “conflito” no território do Rio Aras, em uma cidade de interior da Armênia. Uma das músicas mais conhecidas do CD, por ter um ritmo bem diferente do resto.
“Vicinity of Obscenity”
Diz que todo álbum do System tem que ter alguma música muito estranha, senão não é um legítimo. Pois bem, “Vicinity of Obscenity” é essa música. “Banana terracotta, terracotta pie”. Quem decifrar, por favor, me contate.
“She’s Like Heroin”
Já não bastasse a faixa anterior ser muito estranha, essa também consegue entrar na lista das músicas insanas. Ouvir à ambas, é como viajar na música. Talvez a intenção fosse realmente essa: proporcionar aos ouvintes, sensações diferentes, através da música. Não dá pra encontrar uma linha lógica no lirismo, então, o atrativo é a estranheza, mesmo:”I need someone to make some cash selling, ASS, Selling ass for heroin…”
“Lonely Day”
Depois de “B.Y.O.B.”, “Lonely Day” é a segunda música mais ouvida do disco duplo (segundo o Last.fm). E tem um motivo para isso. É uma das melodias “calmas”, mais bem trabalhadas da banda. “The most loneliest day of my life”. Essa frase repete-se durante toda a faixa e não deixa a cabeça, por muito, muito tempo. É impossível pensar em Lonely Day, e não lembrar automaticamente do refrão. A melodia é perfeita. Vocais, baixo, guitarra, batera. Tudo trabalhando em harmonia, tocando um dos maiores hits da banda.
“Soldier Side”
Enfim, termina, uma verdadeira obra-prima musical. E termina em grande estilo, com a parte que falta de “Soldier Side”. Criticando as forças armadas, e o fato de que os jovens que se alistam, e vão para a guerra, nunca mais voltam, e deixam seus familiares em suas casas, chorando. Genial, fantástica, perfeita. Qualquer um desses adjetivos, define a última faixa do conjunto, de melhores músicas já gravadas, e da maior banda já existente. “Welcome to the Soldier Side, Where There’s no one here but me.”
Conclusão: “Hyonotize” incrementa (com um estilo um pouco diferente) tudo o que “Mezmerize” conseguiu passar. Crtíticas, melodias pesadas e calmas, numa boa dose de cada (sem contar as “estranhas”).

Conclusão Final: Há a esperança, de que algum dia, voltemos a ouvir clássicos tão bons como estes. Pode ser que demore ou pode ser que esteja tão perto quanto esperamos. O que importa, é que a banda gravou esse disco duplo e que suas músicas até hoje influenciam gerações e mais gerações de metaleiros e até não-metaleiros. Talvez, ouvindo a prestando atenção às letras das músicas, alguem acabe tirando conclusões e criando opiniões opostas às minhas interpretações. Bom, isso é normal, cada um tira a sua conclusão. O que tentei fazer, foi entrar mais à fundo nas linhas, e procurar mensagens “escondidas” que só melhoram a qualidade das músicas.
Nota Final: 10/10
Quem gosta disso, pode gostar de: Com muito esforço, Scars On Broadway, Korn e Slipknot
PS.: Essa resenha é dedicada aos amigos Rui e @ea_ricardo. Viiisssh.